Quem nos separará do amor de Deus?

“Quanto a nós, amamos porque ele nos amou primeiro.” — 1 JOÃO 4:19.

QUÃO importante é que você saiba que é amado? Desde a infância até a idade adulta, os humanos precisam de amor. Já observou um bebê nos braços amorosos da mãe? Muitas vezes, não importa o que esteja acontecendo em volta, basta a criancinha olhar para o rosto sorridente da mãe, e ela sossega, tranqüila nos braços da mãe que a ama. Ou lembra-se de como você era durante aqueles anos, às vezes turbulentos, da adolescência? (1 Tessalonicenses 2:7) Ocasionalmente, talvez nem soubesse o que queria ou mesmo como se sentia, mas como era importante saber que seu pai e sua mãe o amavam! Não o ajudava saber que podia dirigir-se a eles com qualquer problema ou pergunta? Deveras, durante toda a vida, uma das nossas maiores necessidades é sermos amados. Tal amor confirma que temos valor.

2 O contínuo amor dos pais certamente contribui para o devido desenvolvimento e equilíbrio. No entanto, confiarmos em que nosso Pai celestial, Jeová, nos ama é muito mais importante para o nosso bem-estar espiritual e emocional. Alguns leitores desta revista podem não ter tido pais que realmente se importavam com eles. Se este for o seu caso, anime-se. O amor leal de Deus compensa a falta ou o fracasso do amor parental.

3 Jeová indicou por meio do seu profeta Isaías que a mãe podia “esquecer-se” do seu bebê, mas que Ele não se esqueceria do Seu povo. (Isaías 49:15) De modo similar, Davi disse com confiança: “Caso meu próprio pai e minha própria mãe me abandonassem, o próprio Jeová me acolheria.” (Salmo 27:10) Quão animador isso é! Não importa quais sejam as circunstâncias, se você tiver uma relação dedicada com Jeová Deus, deve sempre se lembrar de que o amor que ele tem por você é muito superior ao de qualquer humano!

Mantenha-se no amor de Deus

4 Quando chegou a conhecer o amor de Jeová? É provável que o que se deu com você tenha sido de algum modo similar ao que se deu com os cristãos no primeiro século. O Rom capítulo cinco da carta de Paulo aos romanos descreve belamente como pecadores, antes afastados de Deus, chegaram a conhecer o amor de Jeová. Lemos no versículo cinco: “O amor de Deus tem sido derramado em nossos corações por intermédio do espírito santo, que nos foi dado.” No versículo oito, Paulo acrescenta: “Deus recomenda a nós o seu próprio amor, por Cristo ter morrido por nós enquanto éramos ainda pecadores.”

5 De modo similar, quando se lhe apresentou a verdade da Palavra de Deus e você passou a exercer fé, o espírito santo de Jeová começou a operar no seu coração. Assim começou a apreciar a magnitude do que Jeová fez ao enviar seu Filho amado para morrer por você. Jeová o ajudou assim a se aperceber quanto ele ama a humanidade. Não se comoveu ao saber que, apesar de você ter nascido pecador, alienado de Jeová, Ele abriu o caminho para humanos serem declarados justos, com a perspectiva de terem vida eterna? Não sentiu amor a Jeová? — Romanos 5:10.

6 Tendo sido atraído pelo amor de seu Pai celestial e tendo ajustado a vida para ser aceitável a ele, você dedicou a vida a Deus. Agora tem paz com Ele. No entanto, sente-se ocasionalmente um pouco afastado de Jeová? Isto pode acontecer com qualquer um de nós. Mas, lembre-se sempre de que Deus não muda. Seu amor é tão constante e firme como o Sol, que nunca deixa de enviar seus raios de luz para aquecer a Terra. (Malaquias 3:6; Tiago 1:17) Por outro lado, nós podemos mudar — mesmo que apenas temporariamente. Ao passo que a Terra gira, metade do planeta fica em escuridão. Do mesmo modo, quando nos desviamos de Deus, ainda que só por um pouco, talvez sintamos que nosso relacionamento com ele esfriou. O que podemos fazer para corrigir tal situação?

7 Quando nos sentimos um pouco distantes do amor de Deus, devemos perguntar a nós mesmos: ‘Tenho dado o devido valor ao amor de Deus? Será que de alguma maneira me desviei do Deus vivo e amoroso, mostrando de diversas maneiras uma fé enfraquecida? Fixei a mente “nas coisas da carne”, em vez de “nas coisas do espírito”?’ (Romanos 8:5-8; Hebreus 3:12) Se nos tivermos afastado de Jeová, podemos tomar medidas para corrigir a questão, para voltar a ter um relacionamento achegado e cordial com ele. Tiago nos exorta: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós.” (Tiago 4:8) Tome a peito as palavras de Judas: “Amados, edificando-vos na vossa santíssima fé e orando com espírito santo, mantende-vos no amor de Deus.” — Judas 20, 21.

A mudança de situações não afeta o amor de Deus

8 Nossa vida neste sistema de coisas está sujeita a muitas mudanças. O Rei Salomão observou que “o tempo e o imprevisto sobrevêm a todos” nós. (Eclesiastes 9:11) Nossa vida pode mudar totalmente da noite para o dia. Um dia somos saudáveis, mas no dia seguinte talvez estejamos seriamente doentes. Um dia nosso emprego secular parece estável, mas no dia seguinte ficamos desempregados. Sem aviso, a morte pode sobrevir a um ente querido. Em certo país, os cristãos podem usufruir por algum tempo condições pacíficas, e então, de repente, irrompe uma perseguição violenta. Podemos ser acusados falsamente e por isso sofremos alguma injustiça. Deveras, a vida não é estável ou totalmente segura. — Tiago 4:13-15.

9 Quando sofremos coisas lastimáveis, talvez comecemos a sentir-nos abandonados, até mesmo imaginando que o amor que Deus tinha por nós diminuiu. Visto que todos nós estamos sujeitos a tais acontecimentos, faremos bem em considerar com cuidado as palavras muito consoladoras do apóstolo Paulo, registradas no capítulo oito de Romanos. Essas palavras foram dirigidas aos cristãos ungidos com espírito. No entanto, como princípio, aplicam-se também aos das outras ovelhas, que foram declarados justos como amigos de Deus, assim como Abraão foi nos tempos pré-cristãos. — Romanos 4:20-22; Tiago 2:21-23.

10 Leia Romanos 8:31-34. Paulo perguntou: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” É verdade que Satanás e seu mundo iníquo são contra nós. Inimigos talvez nos acusem falsamente, até mesmo nos tribunais do país. Alguns pais cristãos foram acusados de odiar os filhos por não permitir que recebam tratamentos médicos que violam a lei de Deus ou por não os deixarem participar em celebrações pagãs. (Atos 15:28, 29; 2 Coríntios 6:14-16) Outros cristãos fiéis foram acusados falsamente de serem sediciosos, por não quererem matar outros humanos numa guerra ou por não se envolverem em política. (João 17:16) Alguns opositores difundiram mentiras caluniosas na mídia, até mesmo acusando falsamente as Testemunhas de Jeová de serem uma seita perigosa.

11 Mas, não se esqueça de que nos dias dos apóstolos se dizia: “Quanto a esta seita, é sabido por nós que em toda a parte se fala contra ela.” (Atos 28:22) De que importância são realmente as acusações falsas? É Deus quem declara justos os verdadeiros cristãos, baseado na fé que eles têm no sacrifício de Cristo. Por que deixaria Jeová de amar seus adoradores depois de lhes ter dado a dádiva mais preciosa possível — seu próprio Filho amado? (1 João 4:10) Agora que Cristo foi ressuscitado dos mortos e colocado à mão direita de Deus, ele roga ativamente a favor dos cristãos. Quem tem o direito de contestar a defesa que Cristo faz dos seus seguidores ou quem pode questionar com êxito o julgamento favorável que Deus faz dos Seus fiéis? Ninguém! — Isaías 50:8, 9; Hebreus 4:15, 16.

12 Leia Romanos 8:35-37. Além de nós mesmos, será que há alguém ou alguma coisa que pode separar-nos do amor de Jeová e do seu Filho, Cristo Jesus? Satanás poderá usar seus agentes terrestres para causar muitas dificuldades aos cristãos. No decorrer do século passado, muitos de nossos irmãos e irmãs cristãos, em muitos países, foram alvos de violenta perseguição. Hoje em dia, em alguns lugares, nossos irmãos enfrentam diariamente dificuldades econômicas. Alguns sofrem a dor da fome ou não têm roupa suficiente. Qual é o objetivo do Diabo ao causar essas condições aflitivas? Pelo menos em parte, ele tem por alvo desincentivar a adoração verdadeira prestada a Jeová. Satanás quer que creiamos que o amor de Deus esfriou. Todavia, é este o caso?

13 Assim como Paulo, que citou o Salmo 44:22, nós estudamos a Palavra escrita de Deus. Entendemos que é pela causa do nome de Deus que estas coisas acontecem a nós, suas “ovelhas”. A santificação do nome de Deus e a vindicação da sua soberania universal estão envolvidas. É por causa de tais questões importantes que Deus tem permitido provações, não porque não nos ama mais. Não importa quais sejam as circunstâncias aflitivas, temos a garantia de que o amor que Deus tem ao seu povo, inclusive a cada um de nós, não mudou. Qualquer aparente derrota que possamos sofrer se transformará em vitória, se mantivermos a nossa integridade. Somos fortalecidos e sustentados pela garantia do inquebrantável amor de Deus.

14 Leia Romanos 8:38, 39. O que convenceu Paulo que nada podia separar os cristãos do amor de Deus? Sem dúvida, a experiência do próprio Paulo no ministério reforçou sua convicção de que as dificuldades não podiam afetar o amor que Deus tem a nós. (2 Coríntios 11:23-27; Filipenses 4:13) Paulo também conhecia o propósito eterno de Jeová Deus e os tratos passados Dele com o Seu povo. Será que a própria morte pode derrotar o amor que Deus tem aos que o servem lealmente? De forma alguma! Esses fiéis que morrem continuam vivos na memória perfeita de Deus, e ele os ressuscitará no tempo devido. — Lucas 20:37, 38; 1 Coríntios 15:22-26.

15 Não importa as adversidades que surjam na vida — quer um acidente debilitante, quer uma doença terminal ou uma calamidade econômica — nada pode acabar com o amor que Deus tem ao seu povo. Anjos poderosos, tais como o anjo desobediente que se tornou Satanás, não podem influenciar Jeová para deixar de amar os seus servos devotos. (Jó 2:3) Governos talvez proscrevam, encarcerem e maltratem os servos de Deus, e podem classificá-los de “persona non grata”. (1 Coríntios 4:13) Tal ódio injustificado das nações talvez pressione humanos a se virarem contra nós, mas isso não induz o Soberano do Universo a nos abandonar.

16 Nós, como cristãos, não precisamos temer que aquilo que Paulo chamou de “coisas presentes” — os acontecimentos, as condições e as situações neste atual sistema de coisas — “nem coisas por vir” no futuro, possam quebrantar o apego de Deus ao seu povo. Embora poderes terrestres e celestes guerreiem contra nós, há o amor leal de Deus para nos sustentar. “Nem altura, nem profundidade” impedem o amor de Deus, conforme salientou Paulo. Deveras, nada do que possa derrubar-nos, nem nada do que possa exercer uma influência superior sobre nós, pode separar-nos do amor de Deus, nem pode qualquer outra criação desfazer o relacionamento do Criador com os seus servos fiéis. O amor de Deus nunca falha; é eterno. — 1 Coríntios 13:8.

Preze para sempre a benevolência de Deus

17 De que importância é o amor de Deus para você? Pensa o mesmo que Davi, que escreveu: “Porque a tua benevolência é melhor do que a vida, gabar-te-ão os meus próprios lábios. Assim te bendirei durante a minha vida; em teu nome levantarei as palmas das minhas mãos”? (Salmo 63:3, 4) Deveras, há neste mundo algo que a vida possa oferecer que seja melhor do que ter o amor e a amizade leal de Deus? Por exemplo, será que o empenho numa lucrativa carreira secular é melhor do que ter a paz mental e a felicidade resultantes de um relacionamento achegado com Deus? (Lucas 12:15) Alguns cristãos tiveram de escolher entre renunciar a Jeová e enfrentar a morte. Isto aconteceu com muitas Testemunhas de Jeová em campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Com pouquíssimas exceções, nossos irmãos cristãos escolheram continuar no amor de Deus, dispostos a enfrentar a morte, se fosse necessário. Os que continuam leais no amor dele podem ter a confiança de que receberão de Deus um futuro eterno, algo que o mundo não nos pode dar. (Marcos 8:34-36) Mas há ainda mais envolvido do que a vida eterna.

18 Embora não seja possível viver para sempre sem Jeová, procure imaginar como seria uma vida extremamente longa sem o nosso Criador. Ela seria vazia, sem um verdadeiro objetivo. Jeová deu ao seu povo um trabalho satisfatório para fazer nestes últimos dias. De modo que podemos estar certos de que, quando Jeová, o Grande Cumpridor de Propósitos, der a vida eterna, esta será repleta de coisas fascinantes, significativas, para aprender e fazer. (Eclesiastes 3:11) Não importa quanto possamos aprender durante os milênios à frente, nunca chegaremos a desvendar plenamente a “profundidade das riquezas, e da sabedoria, e do conhecimento de Deus”. — Romanos 11:33.

O Pai tem afeição por você

19 Em 14 de nisã de 33 EC, durante a última noite que passou com os 11 apóstolos fiéis, Jesus disse muitas coisas a fim de fortalecê-los para o que estava à frente. Todos eles haviam continuado com Jesus durante as provações dele, e haviam sentido pessoalmente o amor que tinha por eles. (Lucas 22:28, 30; João 1:16; 13:1) Daí, Jesus assegurou-lhes: “O próprio Pai tem afeição por vós.” (João 16:27) Como estas palavras devem ter ajudado os discípulos a se dar conta da ternura que seu Pai celestial tinha por eles!

20 Muitos agora vivos têm servido fielmente a Jeová por décadas. Sem dúvida, antes de chegar o fim deste iníquo sistema de coisas, sofreremos muito mais provações. Nunca permita que tais provações ou aflições o façam duvidar do amor leal de Deus. Seria difícil exagerar este fato: Jeová tem afeição por você. (Tiago 5:11) Que cada um de nós continue a fazer a sua parte, observando lealmente os mandamentos de Deus. (João 15:8-10) Aproveitemos toda oportunidade para louvar o seu nome. Devemos fortalecer nossa determinação de continuar a nos achegar a Jeová em oração e de estudar a sua Palavra. Não importa o que aconteça amanhã, se fizermos o máximo para agradar a Jeová, continuaremos a ter paz, plenamente confiantes no seu infalível amor. — 2 Pedro 3:14.

Como responderia?

• Para mantermos o nosso equilíbrio espiritual e emocional precisamos especialmente do amor de quem?

• O que nunca poderia induzir Jeová a deixar de amar os seus servos?

• Por que ter o amor de Jeová é “melhor do que a vida”?

[Perguntas de Estudo]

1, 2. (a) Por que é importante que saibamos que somos amados? (b) O amor de quem precisamos mais?

 3. Como garantiu Jeová aos do seu povo o amor que tem por eles?

 4. Como se garantiu o amor de Deus aos cristãos do primeiro século?

 5. Como chegou você a apreciar a amplitude do amor de Deus?

 6. Por que às vezes podemos nos sentir um pouco afastados de Jeová?

 7. Como examinarmos a nós mesmos pode ajudar-nos a continuar no amor de Deus?

 8. Que mudanças podem ocorrer de repente na nossa vida?

 9. Por que seria bom considerar uma parte do capítulo oito de Romanos?

10, 11. (a) Que acusações os inimigos fazem às vezes contra o povo de Deus? (b) Por que tais acusações realmente não importam aos cristãos?

12, 13. (a) Que condições ou circunstâncias não nos podem separar do amor de Deus? (b) Qual é o objetivo do Diabo ao nos causar dificuldades? (c) Por que os cristãos são totalmente vitoriosos?

14. Por que Paulo estava convencido do amor de Deus, apesar das dificuldades que os cristãos possam sofrer?

15, 16. Relate algumas das coisas que nunca podem fazer Deus deixar de amar seus servos fiéis.

17. (a) Por que é ter o amor de Deus “melhor do que a vida”? (b) Como demonstramos que prezamos a benevolência de Deus?

18. Por que é a vida eterna tão desejável?

19. Que garantia final deu Jesus Cristo aos seus discípulos?

20. O que você está decidido a fazer, e em que pode confiar?

[Fotos na página 13]

Se nos sentirmos distantes do amor de Deus, podemos esforçar-nos a corrigir a questão

[Foto na página 15]

Paulo entendeu por que estava sendo perseguido